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  » Mártires da Terra » Irmã Dorothy Stang
   
  03/03/2006 - 15:41 - Irmã Dorothy Stang


 

Nasceu em 7 de junho de 1931 nos Estados Unidos da América. Aos 20 anos, já freira da congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, se dedicou ao ensino em Chicago. Anos depois, começou a atuar junto a migrantes latinos que trabalhavam em plantações de uva, tomate e alface no Estado do Arizona. Em 1966 decide mudar para o Brasil. Morou, primeiramente, em Coroatá, Maranhão, onde se dedicou às comunidades eclesiais de base. Em novembro de 1974, Irmã Dorothy muda-se para o Pará, onde ajuda a estabelecer a Comissão Pastoral da Terra na diocese de Marabá. A região sofria muita influência do exército por causa da Guerrilha do Araguaia. Inicialmente Dorothy deu assistência às famílias de agricultores que moravam em comunidades na beira da PA 70. Logo depois, Dorothy muda-se para Jacundá. Em 1982, vai para Anapu, onde quase 90% do município é formado por terras pertencentes à União. Na década de 70, o território foi dividido em glebas, que se tornaram objetos de contratos de Alienação de Terras Públicas, celebrados entre o Incra e particulares. O beneficiado teria cinco anos para tornar a área produtiva; caso isto não acontecesse, a terra voltaria para a União e seria destinada à reforma agrária. Só que os contratantes iniciais começaram a vender as terras, dando origem a um grave processo de grilagem. Os camponeses organizados começaram a reivindicar as terras públicas. O resultado desta luta veio em 1997, quando foi registrado no Incra o pedido de lotes em duas áreas para os agricultores: Gleba Belo Monte (24 lotes) e Gleba Bacajá (21 lotes). Em 1998 o Incra solicitou um recadastramento das terras de Anapu, que aconteceu no ano seguinte. O resultado demonstrou que todos os lotes pleiteados eram improdutivos. Entre os 45 lotes reivindicados, 21 já haviam sido revertidos para o patrimônio da União. Diante desta realidade, ainda em 1998, cerca de 80 famílias de agricultores ocuparam três lotes da Gleba Belo Monte. Em 1999, em uma assembléia dos movimentos, o Incra apresentou um novo modelo de reforma agrária: os projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDSs), que combinam o desenvolvimento de atividades produtivas - incluindo produtos nativos como andiroba - com o assentamento humano de populações tradicionais ou não. Só que a implantação nunca foi tranqüila por causa do alto índice de grilagem. Neste mesmo período, a SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) destinou cem milhões de reais para projetos na região, fazendo com que grileiros invadissem os PDSs. Denúncias de violência cometida por fazendeiros e madeireiros contra agricultores eram constantemente feitas por Irmã Dorothy juntamente com entidades e organizações. Em 12 de fevereiro de 2005, Dorothy é brutalmente assassinada com seis tiros a queima roupa. Seu corpo foi encontrado no PDS Esperança, em Anapu. Ela foi morta a mando de grileiros e madeireiros da região que já vinham a ameaçando há algum tempo. Nos dias 9 e 10 de dezembro de 2005, os dois pistoleiros acusados pela morte da irmã foram julgados e condenados. Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, ficará 27 anos na prisão, e Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, 17 anos. Os mandantes, os fazendeiros Vitalmiro Bastos, o Bida; Regivaldo Pereira, o Taradão, e Amair Feijoli, o Tato, ainda não foram julgados.

 

 

 

A emocionante história de irmã Dorothy foi transformada em filme pelo cineasta norte-americano, Daniel Junge. O documentário “Mataram irmã Dorothy”, com cerca de uma hora e meia de duração, é narrado pelo ator Wagner Moura e apresenta ao telespectador imagens fortes, como da cena do crime que matou a missionária. O trailer do documentário está disponível no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=RFVXtvNZpA4

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